Discurso por ocasião do 40º aniversario sacerdotal de D. Armando.


Exmo. e Revmo. Dom Armando Bucciol
Revmos. Padres,
Revdos diáconos,
Exmo. Sr. Dr. Carlos Souto Batista
Exmo. Sr.
Respectivamente DD. Prefeito e Presidente da Câmara de Vereadores desta episcopal cidade;
(seguem outras saudações)

Celebrar a vida é uma obrigação que se impõe a cada ser humano, pois ela é dom, o mais sublime dado pelo Criador. E quando esta vida se desdobra em serviço, a obrigação da ação de graças se torna mais exigente, porque quem serve ama e quem ama estabelece uma profunda intimidade com o Criador.

Desta afirmação emerge uma segunda, que é a justeza desta celebração. É muito justo estarmos nesta noite ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia louvando ao Senhor pelos 40 anos de ministério presbiteral do nosso amado Bispo. Trazemos ao Senhor Deus a decisão dos senhores Antônio Bucciol e de Antônia Roselen que, abertos à colaboração divina, no dia 03 de julho de 1946, em Villanova de Motta de Livenza (Província de Treviso – Itália), trouxeram ao mundo aquele que hoje preside este ato sagrado. Agradecemos a Deus o Batismo e demais sacramentos de iniciação que fizeram de Dom Armando um adulto na fé. Mas é pelo chamado que lhe foi feito e a generosa resposta dada que entoamos nossos louvores neste dia de festa sob os auspícios de Nossa Senhora do Livramento. Recordemos, pois, na presença do Senhor, sua entrada no Seminário diocesano de Vittorio Veneto, onde cursou o 2º grau, Filosofia e Teologia, sendo seu bispo Dom Albino Luciani, o futuro papa João Paulo I.

Como não agradecer a Deus o memorável dia de 12 de setembro de 1971, quando na Diocese de Vittorio Veneto, Dom Armando recebeu o sacramento da Ordem em seu segundo grau, o presbiterado. Sabemos que, naquele solene e sagrado momento, pela imposição das mãos e oração consecratória, nascia mais um pastor para a grei de Cristo; sabemos que as mãos ungidas se tornaram de fato habilitadas para serem as mãos de um bom pastor, e que bom pastor!

Ciente que somente podemos dar aquilo que temos e que quem propõe a seguir o Cristo precisa dar muito de si, Dom Armando continuou a se preparar intelectualmente. Por isso cursou Teologia Pastoral e especializou-se como professor de Ensino Religioso em Pordenone (1973-1975). De 1977 a 1979 estudou Liturgia Pastoral, no Mosteiro Beneditino Santa Justina, em Pádua. Fez o curso de Doutorado na faculdade de Santo Anselmo, em Roma (1979-1980), e, em Pádua, concluiu (1982) com a licenciatura (1993) Doutorado em Sagrada Teologia, com especialização em Liturgia Pastoral. Participou do curso de preparação para missionário no CUM em Verona (Itália) e de inculturação no CENFI, em Brasília.

O aparato intelectual se transformou, de fato, em serviço. Dom Armando, como padre, assumiu vários ministérios e funções:  Coadjutor na paróquia de Serravalle, em Vittorio Veneto (1971 a 1978); professor de Ensino Religioso por 16 anos; por 11 anos, além dos serviços pastorais nas paróquias de Farra de Soligo (1978-1980), Barbisano e Soligo (1980-1991), trabalhou junto a pessoas com problemas especiais (alcoólatras, drogados, excepcionais físicos, doentes mentais), na Caritas diocesana, na formação de lideranças e na Pastoral da Juventude. Em 1991, veio para o Brasil como fidei donum, atuando na Diocese de Caetité: reitor do Seminário São José (1991-2001), vigário das paróquias de Candiba (1991-2004), Riacho de Santana e Matina (1998-1999), Lícinio de Almeida (2002-2004). Na diocese de Caetité foi ainda coordenador diocesano das pastorais (1995-2004) e professor na Escola de Teologia para Leigos.

Mas o Senhor da messe queria mais e chamou o então Padre Armando para o ministério episcopal. E aqui reconhecemos que os agraciados fomos nós, pois, impulsionado pelo amor de Cristo, Dom Armando aceitou ser nosso segundo Bispo diocesano. Deus seja louvado por tão grande dádiva!

Dom Armando, sabemos que uma boa mãe nunca decepciona seus filhos e esta certeza é corroborada pela presença do senhor à frente desta Igreja diocesana. Quando, ainda no dia 21 de janeiro de 2004, nesta catedral, nosso venerável Dom Hélio dizia com voz clara e forte, que a escolha do senhor para ser nosso segundo Bispo diocesano tinha o dedo de Nossa Senhora do Livramento, ele tinha razão. Só uma mãe tão boa como a que temos pode nos dar um presente de tão grande valor. Obrigado por tantos feitos nestes poucos anos, obrigado pelos conselhos, exortações e atos de governo. Mas muito mais agradecemos pela sua presença de mestre, sacerdote e pastor, pois sua presença é tudo, ela é o sinal sacramental de Deus.

E porque todo Bispo um dia foi presbitério, sabemos que o seu episcopado foi gestado com muito amor e preparo, nos mais variados aspectos, durante seu ministério presbiteral. Por isto estamos celebrando esta Eucaristia de ação de graças.

Parabéns, Dom Armando! O mesmo Deus que o chamou à vida, à iniciação cristã e ao sacramento da Ordem possa ajudá-lo a uma caminhada feliz, em nosso meio e nos presidindo, por muitos anos.